A freguesia de Cernadelo, situada no concelho de Lousada, distrito do Porto, tem uma história profundamente ligada ao mundo rural, agrícola e religioso, refletindo bem a evolução das pequenas comunidades do Vale do Sousa.
O nome Cernadelo é de origem antiga, provavelmente associado a termos pré-romanos ou medievais relacionados com a terra e a agricultura. Existem indícios de povoamento desde épocas remotas, beneficiando da fertilidade dos solos e da proximidade do rio Sousa, essencial para a agricultura e para a fixação de populações.
Durante a Idade Média, Cernadelo integrava o sistema de organização territorial dominado por senhorios laicos e eclesiásticos, sendo a Igreja um elemento central da vida comunitária.
A Igreja Paroquial de Cernadelo, dedicada ao culto católico, é um dos marcos históricos da freguesia. Ao longo dos séculos, foi não só um espaço religioso, mas também social e administrativo, onde se reunia a população e se tomavam decisões importantes para a comunidade.
Historicamente, a economia de Cernadelo assentou sobretudo na agricultura de subsistência, com destaque para:
milho
vinho
batata
criação de gado
As pequenas propriedades familiares moldaram a paisagem e a organização social da freguesia durante gerações.
Com as reformas administrativas do século XIX, Cernadelo consolidou-se como freguesia civil. Ao longo do século XX, apesar da emigração e da industrialização gradual da região, manteve uma forte identidade rural, adaptando-se lentamente à modernização
A freguesia de São Miguel de Lousada foi uma freguesia do município de Lousada com cerca de 2,69 km² e cerca de 879 habitantes em 2011.
Em 2013, durante a reorganização administrativa nacional, a freguesia foi extinta e agregada a Cernadelo e Santa Margarida de Lousada para formar a União das Freguesias de Cernadelo e Lousada (São Miguel e Santa Margarida).
A freguesia estava, historicamente, ligada à vigararia eclesiástica de Aveleda e mais tarde passou a constar nas comarcas de Penafiel e, posteriormente, de Lousada.
A igreja paroquial, com o orago de São Miguel, é o principal marco histórico local e está documentada desde pelo menos o século XIII. Vestígios e referências ao templo aparecem nas fontes antigas, associando-o a períodos anteriores mesmo ao século XIII.
A Igreja de São Miguel é um dos elementos patrimoniais mais importantes da freguesia:
A primeira referência escrita à igreja remonta ao início do século XIII, com o templo já existente por volta de 1216, e mais tarde é mencionado nas Inquirições de 1258.
A construção atual passou por várias fases, desde uma estrutura medieval primitiva até ampliações nos séculos XV/XVI e acréscimos posteriores nos séculos XVII e XVIII.
Vestígios arqueológicos no adro e elementos arquitetónicos antigos sugerem que este espaço religioso tem um passado ainda mais antigo, possivelmente ligado a práticas religiosas medievais ou até pré-medievais.
A igreja era ponto de referência religioso e comunitário da freguesia, com tradições associadas à celebração de São Miguel (29 de setembro).
No passado, a freguesia rural de São Miguel contava com outras capelas ligadas a devoções locais — como a capela de São José e a de Nossa Senhora do Rosário — refletindo uma organização de culto tradicional que integrava confrarias e festividades paroquiais.
O território mantinha atividades agrícolas e pequenos moinhos, importantes para a economia rural da época.
Para perceber melhor a freguesia de São Miguel, é útil saber algo do contexto mais amplo de Lousada:
O concelho de Lousada tem uma história antiga, com vestígios de ocupação romana e continuidade de povoamento ao longo da Idade Média.
A vila de Lousada recebeu foral de D. Manuel I em 1514, e o território eclesiástico passou, no século XIX, da Diocese de Braga para a Diocese do Porto.
Historicamente, o concelho era dividido em muitas freguesias pequenas, das quais São Miguel fazia parte integrante.
A reforma de 2013 alterou a organização administrativa local, unindo freguesias e adequando o território às novas normas do país. A freguesia de São Miguel foi uma das que deixaram de existir de forma autónoma nesta reorganização.
É uma freguesia com forte identidade religiosa, rural e comunitária, muito ligada à história da própria vila de Lousada.
As origens de Santa Margarida remontam à Idade Média, existindo referências à paróquia desde pelo menos o século XIII, nomeadamente nas Inquirições de 1258.
A freguesia surge associada à organização eclesiástica medieval, num território marcado pela agricultura e pequenos núcleos populacionais dispersos.
A Igreja de Santa Margarida de Lousada, dedicada a Santa Margarida, é o principal elemento patrimonial da freguesia.
O templo atual resulta de várias fases construtivas, com base medieval e remodelações significativas nos séculos XVII e XVIII, refletindo o crescimento da comunidade.
Sempre foi o centro da vida social e religiosa, local de culto, de encontros comunitários e de afirmação da identidade local.
Durante séculos, Santa Margarida teve uma economia predominantemente agrícola, baseada:
no cultivo do milho, vinho e produtos hortícolas
na criação de gado
em moinhos, campos de cultivo e pequenas propriedades familiares
A freguesia organizava-se em torno de:
famílias antigas
confrarias religiosas
festas e romarias populares
A festa em honra de Santa Margarida foi (e continua a ser) um dos momentos altos do calendário local, reforçando laços comunitários.
As procissões, missas solenes e momentos de convívio popular marcaram gerações e ajudaram a manter viva a identidade da freguesia.
Santa Margarida integrou, ao longo da história, diferentes comarcas e divisões administrativas, acompanhando a evolução do concelho de Lousada.
No século XIX, com as reformas liberais, consolidou-se como freguesia civil e administrativa, com papel ativo na vida local.
Em 2013, no âmbito da reorganização administrativa nacional, a freguesia de Santa Margarida foi agregada às freguesias de São Miguel e Cernadelo.
Apesar da extinção administrativa, a identidade histórica e cultural de Santa Margarida mantém-se viva na memória coletiva e no quotidiano da população.
Hoje, Santa Margarida é:
uma zona com forte ligação à vila de Lousada
um território que combina tradição e modernidade
uma comunidade com memória histórica sólida e sentido de pertença
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